Follow me:

Call Me In, Piccard

Eu sempre achei que seria fácil pintar a casa. Era só preparar a tinta (e usar uma boa tinta), cobrir o chão de cobertor velho e pedaços de jornal, envolver os interruptores com uma fita crepe, usar um rolo bom, ter controle dos seus movimentos e pronto. Mãos à obra! Mas não é assim. É um exercício e tanto, e é até legal fazer um alongamento antes (coisa que eu não fiz, né?).

Tava passando a hora de pintar o meu cantinho, e para variar, tudo que eu tinha planejado para esse dia, não aconteceu. Para começar, eu não queria usar uma tinta pronta. Queria usar uma tinta do sistema tintométrico, aquele sistema/máquina que permite a personalização da cor da tinta. Eu já estava toda feliz, imaginando uma parede orvalho da manhã outonal com cubos de gelo e toque de seda real e perfume de baunilha com uma xícara de chá (nome de tinta é pior que nome de esmalte). Mas é claro que eu não consegui a minha tinta orvalho da manhã outonal com cubos de gelo e toque de seda real e perfume de baunilha com uma xícara de chá. Quando saímos para comprar as tintas, todas as lojas estavam fechando ou fechadas, e as que estavam abertas, não tinham o sistema. Então, levei para casa uma cor pronta e um sorriso sem graça na cara. Tá certo que eu deixei para a última hora, mas tive as minha razões. Desculpa, mundo das paredes. Eu sei que vocês sofrem com as decisões de última hora.

No grande dia da arte moderna nas paredes, que contaria com a participação especial dos meus pais, eu acordei empolgada para arrumar as coisas. Levantei cedo, fiz o meu delicioso cafezinho e comecei a organizar o lar. Cobri tudo para não sujar, afastei as estantes da parede e tirei os quadros. Um prego caiu da parede nesse último momento e eu nem percebi. Eu não estava de chinelo, e, sim, eu pisei com tudo no prego. Com tudo mesmo e furou o meu pé. O trem doeu tanto, que eu soltei um grito (às 08:00 da matina) que abalou as estruturas do edifício. E eu sou bem escandalosa, e exagerada. O trem ainda tava sangrando e a neura de ter uma infecção tomou conta de mim. Mas recebi tratamento especial, carim e amô, e tudo acabou bem, desinfetado e com band-aid. (ah, é melhor nem citar as buscas na internet sobre como o meu pé poderia ficar com uma possível infecção e como eu poderia tratar se isso acontecesse)

Meus pais chegaram para ajudar e trouxeram uma máquina de pintar. Eu não sei o nome daquilo, mas facilita muito o trabalho, você gasta menos tempo e o mundo precisa de otimização. Com a máquina, a ideia era pintar o cantinho todo, pois começamos cedo. Mas, mas, mas, a máquina não funcionou, não funcionou! A parede não tava muito legal e toda a otimização que o mundo precisa foi por água abaixo. O jeito foi fazer tudo no rolo mesmo. Resultado: ficamos o dia inteiro para terminar um quarto, a sala e um corredor. Ah, quero mandar um abraço especial para todos os tetos do Brasil. Pintar o teto vai fazer você se lembrar da sua idade, pintar o teto vai fazer você se lembrar que não é mais criança, pintar o teto vai fazer você se lembrar do significado do termo “estou enferrujada/enferrujado”. Pintar o teto vai fazer você se lembrar daquelas aulas de ginástica olímpica. Eu fiz ginástica olímpica por alguns anos. (um beijo, Daiane dos Santos! haha)

Enfim, depois de muitas pinceladas que envergonhariam Vincent van Gogh, terminamos o trabalho. Como não temos mais 20 aninhos de idade, estávamos quebrados e cansados. A noite terminou em pizza, e em vinho, e em Interstellar. Já é a terceira vez que eu vejo esse filme. Mas dessa vez foi mais legal, pois a minha mãe tem as melhores reações em filmes. Ela se solidariza com as pessoas, no caso, com a Murph. E se impressiona com os acontecimentos e efeitos especiais. A reação dela ao ver a onda gigante e a turma do Cooper em perigo, foi demais!

Meu pé ainda tá doendo um pouco, mas eu fiz uma mousse de maracujá com calda de blueberry, que ficou da hora. E o azedinho do maracujá, com a cor linda da calda de blueberry, me fez esquecer sobre como o meu pé poderia ficar com uma possível infecção e como eu poderia tratar se isso acontecesse. É, a vida precisa mesmo de otimizações.


* escrevi esse post ouvindo o álbum I’ve Been Gone – Letter One, da banda Ai Phoenix. E o título dele, que não tem nada a ver com o que eu escrevi, é o nome de uma música desse disco. O vídeo dela é tão fundo de quintal, que chega a ser engraçado! Se ficou com vontade de ouvir a música, é só clicar aqui.

Previous Post Next Post

No Comments

Leave a Reply