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    Casualmente Postando sobre Chuchu

    Eu escrevo quando posso e quando a criatividade me visita, mas fico aflita por não postar aqui de forma padronizada e frequente. Por outro lado, não quero postar de forma padronizada e frequente, pois o objetivo não é digitar palavras vazias para manter o espaço etéreo atualizado.

    Em suma: os conflitos internos de uma blogueira casual podem ser mais profundos do que você imagina. 😆

    Deixando o drama introdutório de lado, gostaria de manifestar o meu carinho pelo Lightroom e pelos presets que posso utilizar. Com o auxílio dessa ferramenta mágica, consigo granular as minhas fotos, colocá-las em B&W e passar um ar de processo analógico que, na verdade, é 100% digital.

    Na minha cabeça, a soma entre granulação e suave desfoque resulta em “atmosfera analógica nostalgia pura”. E para vocês? Quais são as caraterísticas que definem a fotografia analógica?

    Minha refeição da tarde: uma cumbuca de iogurte grego, cerejas frescas, amêndoas e melado de cana. Eu também gosto das cerejas falsas, aquelas feitas de chuchu e que nos enganaram por toda uma vida. Eu também gosto de chuchu e fico sentida quando falam que tem gosto de nada. Tem gosto de chuchu, oras. A ciência ainda não definiu o  gosto do nada, então, por gentileza, reflita sobre essa questão antes de caluniar a neutralidade palatável do chuchu.

    O presente post é, basicamente, um fiel retrato do que sou: uma bagunça ilógica que se inicia com software de edição e termina em chuchu.

    – O post foi escrito ao som de Grey Machine – Pinback.

    A Primavera Não Existe Mais

    Não sei muito bem o que escrever aqui. Não tenho novidades para contar e a minha rotina não é interessante.
    O doutorado caminha de modo pacífico, apesar de termos mudado o rumo da minha pesquisa. O francês continua sendo a minha atividade préférée da semana, e retomei os estudos de inglês para me ajudar na escrita dos artigos acadêmicos. O último ponto que aprendi no bordado foi o nó francês (a francofonia me persegue). Sigo firme no Reading Challenge e confesso que alguns quadrinhos estão me ajudando numericamente a quase terminá-lo.

    Paper Girls é uma graça e não vejo a hora de ler o volume 2 (esperando oferta da senhora Amazon). A arte é linda e a história se passa nos anos 80. Então, temos garotas andando de bicicleta, música no walkman, coisas estranhas acontecendo e temos garotas pioneiras na função de entregar jornais, atividade antes feita só por meninos. Adorei a personalidade das 4 garotas, cada qual com o seu jeitinho de ser.

    Não posso ir embora sem reclamar do calor. Eu passo muito mal no verão (a primavera não existe mais), minha produtividade cai, tenho dores de cabeça horríveis e crises alérgicas. Bebo 10 litros de água por dia (exageros são permitidos aqui) e vou ao banheiro 20 vezes por dia (os exageros continuam). Então, a minha única saída é fazer a minha própria bebida gelada de café e tirar uma péssima foto dela. E para completar o ritual, coloco o Ones and Sixes da banda Low para tocar, pois eles são de Duluth e lá tem neve.

    Vejo vocês em 2018.
    Vou tentar escrever antes, mas olha o Natal e a Simone chegando aí, gente.

    – O post foi escrito ao som de Dinosaur Act – Low.

    Quero Ser Acervo Botânico

    Olá, tem alguém aí ainda?

    Se sim, pegue a sua xícara de café ou de chá e vamos tirar a poeira desse blog.

    No mês passado, em agosto, tive a oportunidade de visitar os meus pais em Minas Gerais. Apesar de não ter sido a convencional férias, consegui descansar e rever pessoas queridas. Toda visita à casa dos meus pais é uma viagem sensorial (o cheiro das ervas e das flores, o canto dos pássaros no quintal, a visão fugidia da lua e das estrelas observadas pelo telescópio, as araras que sobrevoam o jardim na mesma hora, todos os dias). Descobri que me renovo nesse retorno ao meu passado, mesmo sendo um passado recente. E que preciso fazer isso mais vezes.

    Nesse intervalo de tempo, também visitamos Inhotim e indico para todos que gostam de arte e natureza. As exposições são incríveis e os jardins são exuberantes. Nós ficamos um dia inteiro por lá e não conseguimos visitar tudo. Tive vontade de virar acervo botânico durante a visita, mas vamos prosseguir como humana mesmo, né.

    Infelizmente, esqueci de levar a lente 18-55 mm e tirei fotos só com a cinquentinha, que me limitou na hora de tirar fotos mais abertas da paisagem (esse não deve ser o jargão fotográfico correto). 😅

    Tenho algumas novidades: comecei a fazer um curso de bordado. O objetivo principal é tentar lidar com a minha ansiedade através de uma atividade que requer paciência, delicadeza e atenção. Também matei a saudade do Godard, ganhei uma french press (barata e que funciona perfeitamente) e virei proprietária de um pé de café chamado Gandalf. Minha mãe plantou o Gandalf  de modo estratégico: perto da janela do meu antigo quarto.

    Obrigada por me ajudar a tirar a poeira daqui. <3

    – O post foi escrito ao som de Grizzly Bear

    Doctorate

    E hoje eu tive mais uma reunião com o meu orientador. Para não perder o hábito, entrei em seu laboratório com desesperança e algumas gotas de agonia no olhar. Não é fácil fazer pesquisa, não é fácil escrever uma tese, não é fácil encontrar paz em um tema complexo. Não é fácil encontrar um tema, aliás. E ainda tenho a sorte de ter um excelente orientador. Crítico, dedicado, muito inteligente e preocupado, aspectos que fazem toda a diferença na minha vida acadêmica.

    E hoje, entre uma discussão e outra, falamos sobre lugares e mudanças. Lugares para trabalhar, morar, aposentar. Eu disse que não tinha um lugar e que a minha localização nesse mundo era incerta. Eu disse que não queria ficar aqui e que também não queria voltar. Eu disse que não conseguia criar raízes, nada era o meu lar.

    – Sou uma alma perdida nesse mundo, sem lugar para estar.

    E ele me respondeu: você sempre enxerga do jeito errado. Alma perdida que nada. Você pode ir para qualquer lugar, você é do mundo. Você é uma mulher livre.

    Acho que nunca mais vou encarar o meu sentimento de “não pertencer” como algo negativo. O que tenho dentro de mim, por mais incômodo que seja, é a mais pura liberdade.