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    Quero Ser Acervo Botânico

    Olá, tem alguém aí ainda?

    Se sim, pegue a sua xícara de café ou de chá e vamos tirar a poeira desse blog.

    No mês passado, em agosto, tive a oportunidade de visitar os meus pais em Minas Gerais. Apesar de não ter sido a convencional férias, consegui descansar e rever pessoas queridas. Toda visita à casa dos meus pais é uma viagem sensorial (o cheiro das ervas e das flores, o canto dos pássaros no quintal, a visão fugidia da lua e das estrelas observadas pelo telescópio, as araras que sobrevoam o jardim na mesma hora, todos os dias). Descobri que me renovo nesse retorno ao meu passado, mesmo sendo um passado recente. E que preciso fazer isso mais vezes.

    Nesse intervalo de tempo, também visitamos Inhotim e indico para todos que gostam de arte e natureza. As exposições são incríveis e os jardins são exuberantes. Nós ficamos um dia inteiro por lá e não conseguimos visitar tudo. Tive vontade de virar acervo botânico durante a visita, mas vamos prosseguir como humana mesmo, né.

    Infelizmente, esqueci de levar a lente 18-55 mm e tirei fotos só com a cinquentinha, que me limitou na hora de tirar fotos mais abertas da paisagem (esse não deve ser o jargão fotográfico correto). 😅

    Tenho algumas novidades: comecei a fazer um curso de bordado. O objetivo principal é tentar lidar com a minha ansiedade através de uma atividade que requer paciência, delicadeza e atenção. Também matei a saudade do Godard, ganhei uma french press (barata e que funciona perfeitamente) e virei proprietária de um pé de café chamado Gandalf. Minha mãe plantou o Gandalf  de modo estratégico: perto da janela do meu antigo quarto.

    Obrigada por me ajudar a tirar a poeira daqui. <3

    – O post foi escrito ao som de Grizzly Bear

    Doctorate

    E hoje eu tive mais uma reunião com o meu orientador. Para não perder o hábito, entrei em seu laboratório com desesperança e algumas gotas de agonia no olhar. Não é fácil fazer pesquisa, não é fácil escrever uma tese, não é fácil encontrar paz em um tema complexo. Não é fácil encontrar um tema, aliás. E ainda tenho a sorte de ter um excelente orientador. Crítico, dedicado, muito inteligente e preocupado, aspectos que fazem toda a diferença na minha vida acadêmica.

    E hoje, entre uma discussão e outra, falamos sobre lugares e mudanças. Lugares para trabalhar, morar, aposentar. Eu disse que não tinha um lugar e que a minha localização nesse mundo era incerta. Eu disse que não queria ficar aqui e que também não queria voltar. Eu disse que não conseguia criar raízes, nada era o meu lar.

    – Sou uma alma perdida nesse mundo, sem lugar para estar.

    E ele me respondeu: você sempre enxerga do jeito errado. Alma perdida que nada. Você pode ir para qualquer lugar, você é do mundo. Você é uma mulher livre.

    Acho que nunca mais vou encarar o meu sentimento de “não pertencer” como algo negativo. O que tenho dentro de mim, por mais incômodo que seja, é a mais pura liberdade.

    Kiwi Doce

    E o Tsundoku só cresce!

    Mas dessa vez a minha consciência não ficou tão pesada. Esses 3 exemplares (Neve, Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? e UBIK) fazem parte de uma recompensa. Participei de um concurso literário e a minha crônica ficou em primeiro lugar. Ganhei brusinha, caneta, bloquinho de notas e 100 joesleys pra gastar na Fnac.

    Tá vendo? Esse blog também tem posts vitoriosos, viu? Não é só tristeza, não. 😄

    Foi um concurso simples e local (promovido pela universidade na qual faço o doutorado), mas esse resultado me alegrou e me motivou a escrever mais. Recebi um feedback interessante dos avaliadores: eles gostaram do que tava escrito, de como estava escrito, da fluidez do texto. E em um oceano de autoestima baixa e de desvalorização do meu próprio trabalho, essa premiação simbólica esquentou o meu coração de forma positiva. Bom, eu sei que esse sentimento não vai durar muito (na verdade, já passou), mas valeu a dose de motivação.

    —–

    Cortei o cabelo. Queria franja, mas o cabeleireiro disse que não ficaria legal em mim. A ideia era esconder as manchas na testa que estão a crescer e parecem um mapa do Cazaquistão. Comprei kiwi, e dessa vez, acertei na doçura. Um kiwi doce! O melão estava azedo e as uvas também. Tenho jogado muita coisa fora: desperdício. Uma vergonha não saber gerenciar os alimentos. Um dia eu aprendo.

    Dimanche

    Você tem dificuldade para fotografar alguma coisa? Eu tenho dificuldade para fotografar discos. Eu sempre tiro o mesmo tipo de foto e não consigo ser tão criativa com essas bolachas. Sugestões são bem-vindas, caso você queira fornecer alguma. 😊

    Neutral Milk Hotel é uma paixão recente. O disco da foto é o In the Aeroplane over the Sea, lançado em 1998. Enquanto escrevo esse post, escuto a Two-Headed Boy, Part Two e que música perfeita para um domingo sem graça. John Coltrane dispensa apresentações, bem como as vaquinhas do Atom Heart Mother do Pink Floyd.

    Estamos aguardando a entrega de 18 discos (a falência será decretada) e eu cheguei à conclusão de que a música é, de fato, o combustível que nos move. Quando estamos tristes ou felizes, quando estamos em dúvida, quando vamos celebrar alguma conquista ou quando vamos celebrar o nada, é a música que está ali para nos amparar. Talvez eu esteja exagerando ou talvez eu só esteja querendo melhorar esse domingo sem graça. 😌