Follow me:

    A Primavera Não Existe Mais

    Não sei muito bem o que escrever aqui. Não tenho novidades para contar e a minha rotina não é interessante.
    O doutorado caminha de modo pacífico, apesar de termos mudado o rumo da minha pesquisa. O francês continua sendo a minha atividade préférée da semana, e retomei os estudos de inglês para me ajudar na escrita dos artigos acadêmicos. O último ponto que aprendi no bordado foi o nó francês (a francofonia me persegue). Sigo firme no Reading Challenge e confesso que alguns quadrinhos estão me ajudando numericamente a quase terminá-lo.

    Paper Girls é uma graça e não vejo a hora de ler o volume 2 (esperando oferta da senhora Amazon). A arte é linda e a história se passa nos anos 80. Então, temos garotas andando de bicicleta, música no walkman, coisas estranhas acontecendo e temos garotas pioneiras na função de entregar jornais, atividade antes feita só por meninos. Adorei a personalidade das 4 garotas, cada qual com o seu jeitinho de ser.

    Não posso ir embora sem reclamar do calor. Eu passo muito mal no verão (a primavera não existe mais), minha produtividade cai, tenho dores de cabeça horríveis e crises alérgicas. Bebo 10 litros de água por dia (exageros são permitidos aqui) e vou ao banheiro 20 vezes por dia (os exageros continuam). Então, a minha única saída é fazer a minha própria bebida gelada de café e tirar uma péssima foto dela. E para completar o ritual, coloco o Ones and Sixes da banda Low para tocar, pois eles são de Duluth e lá tem neve.

    Vejo vocês em 2018.
    Vou tentar escrever antes, mas olha o Natal e a Simone chegando aí, gente.

    – O post foi escrito ao som de Dinosaur Act – Low.

    Quero Ser Acervo Botânico

    Olá, tem alguém aí ainda?

    Se sim, pegue a sua xícara de café ou de chá e vamos tirar a poeira desse blog.

    No mês passado, em agosto, tive a oportunidade de visitar os meus pais em Minas Gerais. Apesar de não ter sido a convencional férias, consegui descansar e rever pessoas queridas. Toda visita à casa dos meus pais é uma viagem sensorial (o cheiro das ervas e das flores, o canto dos pássaros no quintal, a visão fugidia da lua e das estrelas observadas pelo telescópio, as araras que sobrevoam o jardim na mesma hora, todos os dias). Descobri que me renovo nesse retorno ao meu passado, mesmo sendo um passado recente. E que preciso fazer isso mais vezes.

    Nesse intervalo de tempo, também visitamos Inhotim e indico para todos que gostam de arte e natureza. As exposições são incríveis e os jardins são exuberantes. Nós ficamos um dia inteiro por lá e não conseguimos visitar tudo. Tive vontade de virar acervo botânico durante a visita, mas vamos prosseguir como humana mesmo, né.

    Infelizmente, esqueci de levar a lente 18-55 mm e tirei fotos só com a cinquentinha, que me limitou na hora de tirar fotos mais abertas da paisagem (esse não deve ser o jargão fotográfico correto). 😅

    Tenho algumas novidades: comecei a fazer um curso de bordado. O objetivo principal é tentar lidar com a minha ansiedade através de uma atividade que requer paciência, delicadeza e atenção. Também matei a saudade do Godard, ganhei uma french press (barata e que funciona perfeitamente) e virei proprietária de um pé de café chamado Gandalf. Minha mãe plantou o Gandalf  de modo estratégico: perto da janela do meu antigo quarto.

    Obrigada por me ajudar a tirar a poeira daqui. <3

    – O post foi escrito ao som de Grizzly Bear

    Doctorate

    E hoje eu tive mais uma reunião com o meu orientador. Para não perder o hábito, entrei em seu laboratório com desesperança e algumas gotas de agonia no olhar. Não é fácil fazer pesquisa, não é fácil escrever uma tese, não é fácil encontrar paz em um tema complexo. Não é fácil encontrar um tema, aliás. E ainda tenho a sorte de ter um excelente orientador. Crítico, dedicado, muito inteligente e preocupado, aspectos que fazem toda a diferença na minha vida acadêmica.

    E hoje, entre uma discussão e outra, falamos sobre lugares e mudanças. Lugares para trabalhar, morar, aposentar. Eu disse que não tinha um lugar e que a minha localização nesse mundo era incerta. Eu disse que não queria ficar aqui e que também não queria voltar. Eu disse que não conseguia criar raízes, nada era o meu lar.

    – Sou uma alma perdida nesse mundo, sem lugar para estar.

    E ele me respondeu: você sempre enxerga do jeito errado. Alma perdida que nada. Você pode ir para qualquer lugar, você é do mundo. Você é uma mulher livre.

    Acho que nunca mais vou encarar o meu sentimento de “não pertencer” como algo negativo. O que tenho dentro de mim, por mais incômodo que seja, é a mais pura liberdade.

    Kiwi Doce

    E o Tsundoku só cresce!

    Mas dessa vez a minha consciência não ficou tão pesada. Esses 3 exemplares (Neve, Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? e UBIK) fazem parte de uma recompensa. Participei de um concurso literário e a minha crônica ficou em primeiro lugar. Ganhei brusinha, caneta, bloquinho de notas e 100 joesleys pra gastar na Fnac.

    Tá vendo? Esse blog também tem posts vitoriosos, viu? Não é só tristeza, não. 😄

    Foi um concurso simples e local (promovido pela universidade na qual faço o doutorado), mas esse resultado me alegrou e me motivou a escrever mais. Recebi um feedback interessante dos avaliadores: eles gostaram do que tava escrito, de como estava escrito, da fluidez do texto. E em um oceano de autoestima baixa e de desvalorização do meu próprio trabalho, essa premiação simbólica esquentou o meu coração de forma positiva. Bom, eu sei que esse sentimento não vai durar muito (na verdade, já passou), mas valeu a dose de motivação.

    —–

    Cortei o cabelo. Queria franja, mas o cabeleireiro disse que não ficaria legal em mim. A ideia era esconder as manchas na testa que estão a crescer e parecem um mapa do Cazaquistão. Comprei kiwi, e dessa vez, acertei na doçura. Um kiwi doce! O melão estava azedo e as uvas também. Tenho jogado muita coisa fora: desperdício. Uma vergonha não saber gerenciar os alimentos. Um dia eu aprendo.